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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
SOBRE O FILME
Castro, um mentiroso raivoso e viciado em cocaína que é casado com Marisa, uma mulher insatisfeita e entediada com sua fastidiosa rotina de trabalho; Carlos, neurórico e com sérios problemas de auto-estima, e Patrícia, uma intelectualóide com discursos filosóficos confusos e inconsistentes, formam um casal que quer viver junto, mas continuar distante; Helô, uma patricinha típica que se apaixona por Juliano, um ladrão de celulares e campeão de torneios clandestinos de vale-tudo, uma figura raivosa que resolve a vida na porrada e com sangue nos olhos (pois, assim, ele enxerga melhor) e que trabalha, cheira, rouba, agride o mundo com a ajuda de Luz, uma baixinha invocada e autoritária, Xará, um lutador de nariz e temperamento nervosos, e, finalmente, Herodson, morador de favela carapicuibense que vive numa família em lenta desintegração; Ana e Bia, duas gêmeas sulistas que levam suas vidinhas medíocres entre seu apartamento mofado e frio e a loja de celulares onde trabalham, e que logo terão suas vidas transformadas por duas estranhas figuras: elas mesmas. As coisas de sempre com as pessoas de nunca. Vidas cruzadas em linhas cruzadas. Todas essas pessoas se cruzam e desentendem-se, pelo telefone e fora dele, numa intrincada teia de relacionamentos mal-sucedidos, permeados pela hipocrisia e pela mentira. Não há tecnologia que diminuaa influência da miséria humana em nossas vidas. Perto do fio, longe do coração.
SOBRE O PERSONAGEM
> Herodson > Carapicuíba style > vítima > despersonalização > raiva reprimida pode virar câncer > violência: a panacéia suja > a falsa malandragem > uma mordida na jugular da miséria humana
morador de favela carapicuibense, padrasto opressor, mãe oprimida, em busca de uma identidade que, com o tempo, revela-se uma busca pela falta de identidade. despersonalização. Herodson sente raiva, mas não tem coragem de admitir, nem mesmo para ele. sua tragédia pessoal é em ritmo de novela das oito. despersonalizando-se, ele personifica todos os clichês imagináveis, porque não lhe foi possível fugir deste padrão de miséria e mesmice. é a vítima, mas ao tempo seu próprio algoz. se a solução para os seus problemas é a violência, que seja assim. pois é assim. a miséria humana rebentando por todos os lados, pelas frestas de seu barraco ridículo. ele se afoga em bosta de rato e depende da próxima chuva para encher sua caixa d´água e, numa ducha poluída, lavar os males que a vida impregna na sua pele grossa. entre amigos e falsa malandragem, com a dose certa de drogas e pilantragem de esquina, ele quer recuperar uma auto-estima que nunca lhe foi permitida. é hora de beber o sangue da miséria humana. direto de sua jugular.
morador de favela carapicuibense, padrasto opressor, mãe oprimida, em busca de uma identidade que, com o tempo, revela-se uma busca pela falta de identidade. despersonalização. Herodson sente raiva, mas não tem coragem de admitir, nem mesmo para ele. sua tragédia pessoal é em ritmo de novela das oito. despersonalizando-se, ele personifica todos os clichês imagináveis, porque não lhe foi possível fugir deste padrão de miséria e mesmice. é a vítima, mas ao tempo seu próprio algoz. se a solução para os seus problemas é a violência, que seja assim. pois é assim. a miséria humana rebentando por todos os lados, pelas frestas de seu barraco ridículo. ele se afoga em bosta de rato e depende da próxima chuva para encher sua caixa d´água e, numa ducha poluída, lavar os males que a vida impregna na sua pele grossa. entre amigos e falsa malandragem, com a dose certa de drogas e pilantragem de esquina, ele quer recuperar uma auto-estima que nunca lhe foi permitida. é hora de beber o sangue da miséria humana. direto de sua jugular.
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